Numa visão constitucional podemos conceituar obesidade como “expressão sintomática dos conflitos internos e externos num mesmo mecanismo”. Alguns estudos comprovam que a cirurgia de redução do estômago, associado ao tratamento multidisciplinar, melhorou em 80% a 40 % dos casos os distúrbios de humor, ansiedade, depressão e compulsão alimentar.
A experiência com pacientes obesos bariátrico, ou seja, aqueles que têm indicação cirúrgica, mostra que estes recorrem à cirurgia de redução de estômago não só em busca do emagrecimento ou alívio das doenças associadas, mas também com a fantasia de que o emagrecimento expressivo os levará a uma melhor estética corporal (conquista da beleza), retorno profissional, ou resgate de um relacionamento, dentre outros fatores.
Independente das percepções individuais, crenças e sentimentos relacionados a obesidade, o psicólogo busca num primeiro contato com o paciente, diagnosticar os distúrbios mais freqüentes e toda a psicodinâmica que engloba o problema. É necessário ouvir a história pessoal de cada um dos pacientes como parte da avaliação, trabalhando com ele a disciplina e controle da sua “fome”, que deve ser identificada como física ou emocional.
O trabalho do psicólogo consiste já no pré-cirúrgico, numa entrevista que visa avaliar o perfil do paciente, sua rotina alimentar, possíveis distúrbios emocionais, relações afetivas, cultura familiar, interações profissionais, identificando se aquele se adéqua ao tratamento cirúrgico da obesidade.
No pós-operatório, o paciente e seu familiar são acolhidos, visando o necessário suporte para as mudanças comportamentais relacionadas à sua rotina alimentar, caracterizando-se como intervenções psicoeducativas que contribuirá nas diversas etapas do tratamento. Determinamos com o paciente objetivos a curto e longo prazo, fazendo-o entender que cada um tem seu próprio ritmo para perda de peso, e que a comparação com outros pacientes poderá influenciar negativamente na sua recuperação e adaptação. As consultas são individuais e o tempo do tratamento varia de acordo com o caso de cada paciente.
Após a cirurgia o paciente deve entender que emagrecer não será mais um sofrimento, mas resultado de um tratamento que tem como conseqüência e meta a esperada qualidade de vida.
A adesão ao tratamento é fundamental para o paciente bariátrico, visando o devido controle da compulsão alimentar e evitando com isso possíveis complicações ou recaídas, possibilitando o êxito por todos esperado.

Dra. Cláudia Quintanilha
• Formada Universidade Gama Filho – RJ (1989)
• Pós-Graduação em psicologia da Saúde e Hospitalar
• Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica
- Email: psic_quintanilha@yahoo.com.br
